A falácia do direito ao aborto

Por trás do suposto direito à assistência médica na ocasião do aborto, por trás da luta e da militância abortista está uma concepção equivocada de direitos e deveres e uma concepção equivocada acerca da função do Estado. Se o Estado é um ente organizado para combater injustiças ou desigualdade precisamos questionar se a condição da mulher que quer abortar é de desigualdade perante a lei ou de desigualdade perante aqueles que se submetem à lei. Convém notar que uma lei que fere o princípio de proteção à vida é por si só contraditória, visto que a defesa da vida é o que justifica a própria existência do Estado, que não foi criado como provedor de benefícios e de “direitos” os mais diversos, mas como guardião dos direitos inalienáveis que nenhuma sociedade pode abrir mão de tentar assegurar. A gestão da vida sexual da mulher é algo que diz respeito a ela e a ninguém mais. Ao pedir permissão ao Estado para abortar, a mulher está se colocando acima daquilo que o suporta como instituição necessária e legítima: a defesa da vida. A mulher que decide interromper uma gestação saudável não corria risco de vida até tomar essa decisão. E tomando tal decisão ela quer dizer ao Estado: “Proteja-me! Proteja-me de mim e dos meus atos inconsequentes; mate com mais eficácia do que eu poderia fazer, sustente o meu direito de gozo sem responsabilidade e com isso interfira mais e mais na minha vida até eu me tornar um ser obtuso incapaz de decisões que envolvam algum risco, incapaz de um ato de compaixão que comprometa o meu bem-estar, incapaz de acreditar que há grandeza em assumir aquilo que julgo difícil, como levar adiante a gravidez não planejada que decorreu na minha escolha prévia de me colocar na situação que a tornaria possível. Tutele a minha vida até as entranhas para que, ao final, eu não me acredite capaz de obter nada que você não tenha concedido. Assuma, Estado, a minha consciência moral para que eu não tenha culpa, legalize esse ato covarde e me faça crer que a existência de termos novos e aberrações jurídicas justificam que uma vida humana seja ceifada em meu ventre em nome do meu bem-estar e da minha segurança.”

Deixe uma resposta

Fechar Menu