Análises das eleições 2018 – Artigos jornal O POVO

As eleições de 2018 e a possibilidade de renovação política

(publicado originalmente no Jornal O Povo em 10/08/2018)

Aproxima-se o início de um dos pleitos mais importantes da nossa história desde a redemocratização. A importância dessa eleição pode ser constatada em diversos níveis, desde a oportunidade de renovação política configurada pelas forças que vêm se afirmando até a constatação da real necessidade de que tal renovação se configure a fim de que o Brasil possa fazer jus ao seu papel de maior potência da América Latina.

Não se trata, porém, apenas de novos nomes e novas legendas, mas de novos ideais e novas configurações políticas não apenas no campo da disputa eleitoral, mas no campo social como um todo.

O Estado brasileiro outrora revestido por um patrimonialismo imoral e descabido encontra pouco a pouco indivíduos que sustentam posições mais liberais do ponto de vista econômico, enquanto o conservadorismo começa a ser identificado por certos setores como um pensamento político de alta relevância teórica e como ferramenta a ser conhecida e utilizada por aqueles que se sentem abismados diante das pautas ditas progressistas que dominaram a cena intelectual e política das últimas décadas.

É claro que o liberalismo e o conservadorismo de que falamos é algo mais complexo do que aquilo para o quê conseguem atinar muitos dos próprios personagens políticos que põem essas perspectivas em movimento, mas isso não diminui o valor do esforço daqueles que pressentem a mudança em curso e que arregaçam as mangas para levá-la adiante.

O liberalismo, por exemplo, não se define apenas do ponto de vista econômico, mas sinaliza também a autonomia do indivíduo frente ao paternalismo do Estado que tenta se agigantar ao ponto de tentar gerir nossas vidas, nossos costumes, nossas ideias, nossa formação moral. É nesse contexto que se fala em doutrinação escolar, que nada mais é que a tentativa de capturar mentes mais susceptíveis para velhas ideologias pinceladas por um verniz crítico-social.

O indivíduo que se recusa a aderir a isso é justamente aquele que reage à homogeneização do pensamento no meio escolar e acadêmico e é por isso que teremos como pano de fundo importante dessas eleições a polêmica gerada pelo projeto de lei que ficou conhecido como Escola Sem Partido.

Por outro lado, atentamos para o fato de que certo conservadorismo nos costumes se alia a esse ímpeto de autoafirmação do indivíduo de modo a configurar uma aliança momentânea e cheia arestas, mas forte o suficiente para se contrapor à hegemonia da esquerda totalitária estatizante e progressista. Vemos assim que o campo ideológico que se sustenta nas bandeiras das chamadas minorias (gays, transexuais, negros, índios, mulheres, sem-terra, etc.) perde terreno para o campo ideológico que se sustenta na defesa dos direitos básicos: vida, propriedade e liberdade.

A sociedade brasileira encontra-se, portanto, em processo de maturação política e essa maturação passa pelo luto de uma geração que acreditou em uma ideologia cujos frutos podres podemos constatar atualmente, por exemplo, na Venezuela, na Nicarágua, assim como pudemos constatar em nosso próprio país, embora muitas pessoas ainda fechem os olhos para isso; talvez por não termos descido a ladeira abaixo do socialismo total.

Poder político ou poder econômico: o que decidirá essas eleições?

(publicado originalmente em 24/08/2018)

Em artigo anterior afirmamos que o Brasil passa por um processo lento de amadurecimento político que aponta para uma renovação extremamente necessária. Mas a maioria de nós se coloca muito naturalmente nos extremos, apresentando dificuldade ímpar em encontrar o equilíbrio, o bom senso, a razoabilidade. O confronto de ideias é saudável e inevitável, mas a polarização absoluta pode resultar em empecilho ao processo político maduro que deveríamos almejar.

Amizades desfeitas, brigas entre parentes, discussões e hostilidades em ambiente de trabalho devido às arengas político-partidárias tornaram-se parte da nossa rotina. Isso se dá porque queremos calar o nosso adversário, queremos desqualificá-los como portadores de opiniões, intelecções e visões de mundo dignas de serem ouvidas e consideradas e se, por um lado, o silêncio é reconhecidamente um caminho para a paz interior, o ato de silenciar o outro que deseja falar no âmbito político é uma agressão imensa e prejudicial à sociedade.

Ainda no referido artigo, nós dizíamos que o liberalismo é uma das forças políticas de renovação. Você pode não entender de liberalismo ou entender e não concordar, mas deve reconhecer que é saudável para a população conhecer ideias diferentes. Pois bem, pela primeira vez temos um partido político abertamente liberal e um candidato à Presidência da República que defende tais ideias. Mas esse candidato não pôde participar dos debates televisivos. É sintoma de falência, obsolescência e falta de visão da velha política e da velha mídia que um candidato caricato como Cabo Daciolo tenha tido espaço nos debates entre os presidenciáveis e o candidato pelo partido Novo, João Amoêdo, não.

Pela legislação eleitoral as emissoras não têm obrigação de convidar os candidatos cujos partidos não tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso. Ocorre que o Novo não poderia ter representação mínima pelo simples fato de que é a primeira vez que disputa tais eleições. Se é verdade que as emissoras não têm obrigação de convidá-lo, não menos verdadeiro é o fato de que poderiam fazê-lo e não o fizeram e com isso não contribuíram para elevar o nível do debate. O fato é que a mídia tem praticamente ignorado o candidato em questão que, entretanto, ganhou manchete nos principais jornais semana passada após a declaração de bens dos presidenciáveis. João Amoêdo é o mais rico dos candidatos, com seus espantosos R$ 420 milhões; um pouco mais do que Henrique Meirelles, que declarou R$ 377 milhões. Lula declarou 8 milhões e Boulos – para vender a imagem de sem-teto – declarou módicos quinze mil reais.

O conhecimento dessas cifras movimentou as redes sociais dando azo a comentários que avaliavam o rigor ético de alguém pela fortuna amealhada, como se o valor do sujeito dependesse do patrimônio em si mesmo e não da forma honesta ou desonesta como foi conquistado. Como disponho aqui de um reduzido espaço, deixarei a cargo do leitor algumas reflexões que em outra ocasião poderei desenvolver: o aspecto econômico é importante? A riqueza é em si mesma imoral? Não somos mais vulneráveis ao poder político quando demonizamos o poder econômico?

Perigos para a Democracia na reta final das eleições

(Publicado originalmente no jornal O POVO em 07/09/2018)

Estamos nos aproximando perigosamente das eleições de 7 de outubro. Pode causar estranheza que se use o termo “perigosamente” para se referir ao mais alto momento do processo democrático. Ocorre que a tibieza das instituições mantenedoras da democracia chegou ao ponto em que se corre o risco de que um presidente títere seja eleito com o propósito aberto e declarado de ser comandado de dentro da cadeia por um criminoso. Que, no Brasil, bandidos comandem suas facções criminosas de dentro de celas de cadeia é, infelizmente, prática rotineira; porém, talvez seja ainda de espantar que a leniência da Justiça venha a permitir que a República seja presidida de dentro de uma cela de cadeia por um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Coisas espantosas não têm faltado no nosso atual processo político. As últimas e mais comentadas começam pelo voto bizarro do ministro Edson Fachin na sessão do TSE. No seu solitário voto vencido, o ministro Fachin entendeu que a recomendação de um comitê da ONU teria força de lei no Brasil, submetendo todas as nossas instâncias jurídicas, anulando a Soberania Nacional e, com base nisso, votou a favor da candidatura de Lula. O caso foi transmitido ao vivo pela TV Justiça e, em seguida, houve uma decisão secreta de reformular o que havia sido decidido em sessão aberta: permitiu-se ao PT usar o horário eleitoral gratuito em rádio e TV para fazer propaganda para presidente, mesmo não tendo candidato a presidente.

Essa decisão secreta continha ressalvas. O PT, porém, não deu a mínima atenção às ressalvas do TSE e fez sua propaganda como bem quis e entendeu. Houve ainda, nessa disputa entre o afrontoso PT e o tímido TSE, um componente cômico, que foi o TSE alertar o PT sobre incidência de multa no caso de não cumprimento das determinações legais. Ora, multa para grandes partidos como o PT, fornidos com indecentes Fundos Partidário e de Campanha – e, principalmente, com prováveis reservas de Caixa 2 (porventura, também Caixas 3 e 4) oriundas do mensalão e petrolão – é gasto irrisório.

A despeito disso, convém manter a esperança e levantar a voz. Não podemos deixar os autoritários, como o PT e seus satélites, falando sozinhos, construindo narrativas tão mentirosas quanto sedutoras. Tais narrativas levaram muitos países ao desastre, sendo o mais próximo de nós o desastre construído pelo chavismo na Venezuela. Nesse país vizinho, o autoritarismo avançou juntando a violência à fome; E isso muito nos importa, porque esse regime – o Socialismo do século XXI – serve de modelo para o autoritarismo brasileiro de esquerda.

Os autoritarismos – de esquerda ou de direita – só avançam diante da leniência dos poderes democráticos e da apatia da população. No atual processo político, os brasileiros devem cobrar da sua justiça que não se dobre à afronta audaciosa dos autoritários e corruptos. A grandeza da democracia não haverá de se submeter ao vilipêndio de indivíduos já devidamente investigados, processados, julgados e condenados. Já fomos à rua para derrubar uma presidente fantoche. Voltaremos às ruas se tentarem driblar a justiça e calar nossa voz.

Fanatismo político, facas e a eleição presidencial

(Publicado originalmente no jornal O POVO em 21/09/2018)

Um atentado e um acinte, ambos à faca, devem ter impacto nas eleições do próximo dia 7 de outubro no Brasil. O atentado, amplamente divulgado e comentado, teve por alvo o candidato a presidente Jair Bolsonaro e o seu agente foi um fanático político, Adélio Bispo. Constatar o fanatismo político do indivíduo em questão não significa, porém, negar a existência de um mandante do crime e todos os indícios indicam para algo mais complexo do que o surto isolado de um psicopata. É muito suspeito, por exemplo, que um “lobo solitário” tenha à sua disposição, imediatamente após o atentado, os serviços de quatro caríssimos advogados e é muito sintomático que o fanatismo político tenha se revelado não apenas no criminoso mas também nas sentenças impiedosas que jornalistas, artistas, professores universitários e formadores de opinião em geral vomitaram nas suas redes sociais após o atentado. Frases do tipo “sou totalmente contra a violência, mas faltou acabar o serviço” ou “um pouco mais de sorte e competência para o próximo esfaqueador” proliferaram nas redes sociais.

O acinte, por sua vez, ao qual nos referimos ocorreu na distante Turquia, e foi praticado por um político fanático cujo deboche e indiferença em relação à miséria do seu povo acabou por indignar também os brasileiros que se compadecem do sofrimento dos irmãos do país vizinho. O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, foi filmado sendo servido de suculentas carnes em um restaurante de luxo em Istambul, um dos mais caros do mundo, que cobra cerca de 1.000 dólares por refeição, tendo sido servido pessoalmente pelo célebre chef Nusret Gökçe, mais conhecido pelo apelido de Sal Bae.

O que mais chama atenção no vídeo difundido na internet, divulgado pelo próprio Salt Bae, é a destreza deste chef no corte das carnes e a empáfia de Nicolás Maduro com seu charuto cubano. Por isso dizemos que foi um “acinte à faca”. O que há, porém, de extraordinário em alguém ser servido por um chef em um restaurante de luxo? Da mais baixa e ordinária inconveniência política há o fato de que Nicolás Maduro é presidente de um país que está afundado na miséria e na fome, cujo povo está comendo carne estragada para conseguir obter a proteína necessária ao seu organismo.

Mas o que o repasto de luxo de Maduro tem a ver com o processo eleitoral brasileiro? Ora, o regime do acintoso, debochado e cruel ditador Nicolás Maduro é produto de uma concepção política chamada “Socialismo do Século XXI”, “chavismo” ou “bolivarianismo” e é sabido que correntes e partidos políticos da esquerda brasileira apoiam abertamente tal regime como é o caso do PT, cujo candidato à Presidência apresenta-se, pelas últimas pesquisas, com grandes chances de disputar o segundo turno com o candidato que sofreu o ainda não explicado atentado à faca.

Alguns afirmam que a eleição de Bolsonaro é um risco para a democracia. Nós afirmamos que a eleição do fantoche de Lula não é apenas um risco para a democracia brasileira, mas a sua sentença de morte. Espero que em breve não tenhamos que escolher entre um militar que saúda uma ditadura do passado e um partido que apoia uma ditadura do presente.

Brasil entre o reacionarismo e a ameaça da esquerda totalitária

(Publicado originalmente no jornal O POVO em 05/10/2018)

O PT e seus satélites esmeram-se em denunciar um suposto autoritarismo da chapa Capitão Bolsonaro e General Mourão. De fato, essa chapa tem um viés reacionário pouco condizente com o conservadorismo tal como nos é apresentado por intelectuais como, por exemplo, Roger Scruton, João Pereira Coutinho ou Bruno Garschagen. Diferentemente do conservador, cuja postura política é sóbria, cética e distante dos radicalismos, o reacionário pode ser tão radical quanto um revolucionário no seu apego ao passado que quer restaurar. O saudosismo que tanto o candidato do PSL quanto o seu vice por vezes demonstram em relação aos idos de 1964 preocupa mais do que suas patentes militares.

Ocorre, porém, que a chapa Fernando Haddad e Manuela D’Ávila não tem qualquer respaldo moral para fundamentar os vitupérios que lançam contra Bolsonaro, já que ambos também são saudosos de ditaduras do passado (aquelas que configuraram os regimes totalitários de esquerda no século XX) e são, além do mais, amantes e defensores de ditaduras do presente (Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua e Venezuela). Só isso já faria dessa chapa da esquerda uma ameaça maior, mais real e mais presente.

O caso especialmente deprimente é o da íntima relação entre o PT e a ditadura chavista na Venezuela, pois as investigações da Lava Jato indicaram que esta relação foi irrigada com dinheiro tomado do povo brasileiro para financiar os amigos ideológicos: dinheiro legal – através de empréstimos heterodoxos e, muito provavelmente, dinheiro ilegal – proveniente da corrupção da Petrobras.

Como se já não bastassem esses sinais indicativos da inclinação totalitária da bizarra chapa “Haddad é Lula; vice Manuela”, veio José Dirceu, o segundo em comando no esquema lulopetista, e disse o seguinte: “é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.” A esquerda, claro, e grande parte da imprensa subestimou essa afirmação de Dirceu, enquanto superestimava uma fala de Bolsonaro na qual ele disse que não aceitaria resultado das eleições diferente de sua vitória. Bolsonaro voltou atrás na sua fala, mas Dirceu não.

“Tomar o poder” é palavra de ordem histórica do bolchevismo para o assalto revolucionário ao Estado e imposição incontrastável do poder do partido único. A extensão da tirania anunciada por essa velha palavra de ordem, renascida pela boca do estrategista maior do lulopetismo, pode ser vislumbrada na explicação do maior estrategista comunista de todos os tempos, Lênin, que, no livro A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky, ensina: “A ditadura revolucionária do proletariado é um poder conquistado e mantido pela violência do proletariado sobre a burguesia, um poder que não está amarrado por nenhuma lei.”

Estão compreendendo agora o que José Dirceu quis dizer com a expressão “tomar o poder”? Com efeito, “um poder que não está amarrado por nenhuma lei” não se conquista através de uma eleição; tal eleição, quando houver, será apenas uma etapa para a consecução do plano revolucionário de poder total.

A guinada à direita

(Publicado originalmente no jornal O POVO em 08/10/2018)

Jair Messias Bolsonaro ainda não foi eleito Presidente da República, mas sua candidatura já representa um fenômeno na política brasileira. Durante a campanha, a esquerda anunciou estrepitosamente que a vitória do seu demonizado adversário da direita seria o fim da democracia, mas o que vimos de ameaça à democracia saiu da faca de um fanático da esquerda, da boca de José Dirceu e das inúmeras denúncias de prováveis fraudes nas urnas eletrônicas, todas elas prejudicando o candidato do PSL.

O reduto midiático e acadêmico de uma elite cultural meio alheia à realidade do brasileiro comum sente certa dificuldade para compreender o que se passa no Brasil e no mundo. Como assim Donald Trump foi eleito? Como assim estão a eleger o Trump brasileiro? Como assim nós intelectuais, artistas, pessoas com mais consciência política não conseguimos convencer o povo de que estavam elegendo a encarnação de Adolf Hitler? Como assim “ele” subiu nas pesquisas depois do “#EleNão”? Como assim fugiram do nosso cabresto ideológico?

Não compreendem, esses pseudointelectuais, que se firma uma resistência à devastação moral que décadas de doutrinação de viés materialista, marxista e progressista nos legou. Não compreendem que em um país no qual boa parte da população não tem sequer saneamento básico não se leva a sério quem se exalta na defesa de banheiro trans; que em um país com saúde pública caótica só pessoas comprometidas ideologicamente se ocupam da luta pela legalização do aborto; que em um país com índices alarmantes de homicídios só políticos hipócritas pensam mais no criminoso do que na vítima; que em um país de maioria cristã não se admite facilmente que nossa moral seja escarnecida dia a dia e que se imponha goela abaixo dos pais as idiossincrasias sexuais de pedagogos vitimados pela lavagem cerebral de um sistema educacional decadente. Não compreenderam nada disso e por isso se espantaram nessas eleições.

O fascismo da esquerda hipócrita

(Publicado originalmente no jornal O POVO em 19/10/2018)

A Luta Contra o Fascismo Começa Pela Luta Contra o Bolchevismo. Este é o título de um panfleto escrito pelo marxista alemão Otto Rühle em 1939, em um dos mais difíceis momentos da luta de resistência contra o fascismo alemão: o nazismo. O referido texto coloca a Rússia na primeira linha dos estados totalitários e como modelo para os países constrangidos a renunciar ao sistema democrático para se voltarem para a ditadura. Afirma Rühle que “a Rússia serviu de exemplo ao fascismo”. O panfleto, desde o tão vigoroso título, escancara uma verdade incômoda à esquerda majoritária brasileira de hoje, que se agrupa sob a liderança do corrupto presidiário ex-presidente Lula e se representa na candidatura do fantoche Fernando Haddad a presidente da República.

Onde está, porém, o incômodo dessas denúncias antigas para a campanha PT/Haddad? Está em que o bolchevismo é uma das matrizes doutrinárias do PT e vários de seus dirigentes o declaram orgulhosamente, donde se vê que é contrassenso que a principal linha estratégica do PT e seus satélites para esta campanha consista em insultar seus adversários de “fascistas” e sob essa alegação pretenderem criar uma “frente democrática” para conter seu avanço. Vê-se também quão hipócrita foi a fala de Fernando Haddad quando – um dia após o resultado das urnas que o levaram para o segundo turno – apresentou-se como um candidato social-democrata. Como diz o ditado: “quem não te conhece que te compre”. O fato é que foi como lobo em pele de cordeiro que o PT iniciou a campanha de segundo turno. No dia 9 de outubro a Folha de S. Paulo trazia uma entrevista com o governador do Ceará, o petista Camilo Santana, na qual se lia, sobre Haddad, que ele “tem de afastar um pouco essa marca do PT.” O conselho parece ter sido acolhido, pois já nos deparamos com uma nova logomarca da campanha do ex-(pior)prefeito: logomarca sem vermelho, sem Lula e com as cores do Brasil.

Eis aí os principais elementos do teatro tétrico destas eleições: o partido de origem bolchevique, que nunca teve respeito às instituições, que se considera acima da lei e abaixo apenas do seu líder (que lhe dita as ordens da cadeia); esse partido populista que comprou o congresso, que respondeu pelo maior caso de corrupção da história – o PT do mensalão e do petrolão ; esse partido que promove ideológica e financeiramente ditaduras como a cubana e a venezuelana coloca-se hipocritamente como arauto e defensor da democracia.

A elite pseudointelectual – usar esse termo me custou caro! – muito bem apelidada de “esquerda caviar”, cujos principais representantes estão no meio acadêmico e artístico reproduzem, por sua vez, essa farsa insuflando os jovens a uma batalha quase intergaláctica e apocalíptica contra o fascismo. Reitores emitem notas públicas contra a “onda conservadora” que coloca em risco a “democracia”, expondo desavergonhadamente seu viés político-partidário em total desrespeito ao pluralismo acadêmico e ao princípio de neutralidade das instituições públicas.

Certo mesmo estava Cid Gomes, pelo menos no seu último rompante: quem criou o Bolsonaro foi o PT, que fez muita besteira, que aparelhou as repartições públicas, que achou que era dono do país, que não fez mea culpa, que não admitiu erros e que por isso vai perder a eleição.

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