Conduzir-se com dignidade e nobreza

Constantemente nos perguntamos sobre nossas atitudes, como se pudéssemos alcançar a dimensão de nossas possibilidades apenas pela reflexão em torno dos nossos atos. Os atos são significativos, mas o alcance deles não pode ser mensurado pela nossa razão limitada. O propósito de uma boa ação importa mais que sua eficácia imediata, pois o imediato fere os sentidos e responde às inquietações momentâneas, mas não traduz a obra completa que se desenvolve nos caminhos traçados pelo destino espiritual daquele que age. O momento atual importa menos para o espírito do que a projeção mental no bem que o impele a ir adiante.

Aguenta as agruras e vicissitudes do dia-a-dia, pois é nele que se constrói paulatinamente a estrada sólida de projetos ideais e atitudes nobres sem as quais a vida quotidiana se desorganiza e tu te desesperas. O desespero só bate à porta de quem não tem esperança, mas a esperança sempre estará presente no coração daqueles que amam e agem no bem, pois quem ama e age bem não espera recompensa imediata, mas traduz para os outros a grandeza de um coração que sonha e que trabalha. Continua trabalhando e amando, amando e aprendendo, construindo e reconstruindo as relações cotidianas para que delas surja a profundidade de um amor espiritual completamente trabalhado.

O amor humano, em suas múltiplas facetas, apresenta dificuldades insondáveis de compreensão. O amor sexual, turvado pelo dinamismo próprio do psiquismo embriagado, pode, durante algum tempo, aparentar estabilidade e doçura, mas o amor real pressupõe muito mais a compreensão mútua e o respeito acima de tudo. Quem ama não submete a si mesmo a situações deploráveis ou indignas; quem ama, sustenta a nobreza de seus sentimentos sem ceder a mesquinharias ou vulgaridades. Por mais que trates com pessoas desprovidas de senso moral, mantém a dignidade na conduta, no gesto, no trajar, na linguagem e, sobretudo, na intenção. Traduzindo para o outro a grandeza dos teus sentimentos, atrairás para ti os gestos mais generosos e louváveis. Escolhendo a humilhação, apenas atrairás sofrimento.

Conduzir-se com dignidade e nobreza não é atitude de arrogância, mas atitude condigna com a história já tracejada por aqueles que decidiram se entregar ao evangelho e ao serviço. Jamais declines de tuas obrigações morais. Entre lágrimas ou entre sorrisos mantém a dignidade de cada ato da tua vida, pois a tua vida é o teu testemunho e tu és o espelho da tua descendência e daqueles que te amam e admiram.

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