Conservar o quê? Progredir para onde?

O conservadorismo político se justifica pela necessidade de reavivar compromissos com o que nos foi legado tradicionalmente, isto é, com instituições e valores cujo respeito fomentou o progresso e cuja negação poderia conduzir não ao que se propagandeia, mas ao abalo sistemático da República, da sociedade e da economia. O conservadorismo, portanto, não equivale ao retrocesso ou à defesa de posturas intolerantes, mas à consciência de que uma sociedade que evolui precisa se assegurar de certas instâncias teóricas e funcionais sem as quais o homem perde o rumo tracejado pela civilização em séculos de esforço teórico e prático. O progresso que se almeja não poderá jamais advir da simples rebeldia em torno do sólido e do cultural, mas sim da constância naquilo que se consolidou como profícuo para o bem estar das pessoas e para a liberdade das nações. Por mais que estejamos atravessando um período de transformações no quesito social, moral e intelectual, todas as transformações que se transfiguram em tergiversações em torno do justo fatalmente sucumbirão como princípio adequado de conduta, pois o justo não pode estar a mercê do temperamento mundano ou das práticas modernas que estabelecem a novidade como único critério de autenticidade. O novo pode advir apenas da restauração ou do assenhoramento de tudo aquilo que a sociedade madura já conquistou, pois a novidade radical que se sustenta em utopias põe a perder o gênio civilizatório que põe o novo na reestruturação original de posturas adequadas a um ideal justo.

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