Entre dois planos

Frequentar a reunião mediúnica é mais do que estar de corpo presente, é estar a postos e em harmonia com o grupo, permeado de boa vontade e boa disposição. Estar em uma reunião mediúnica é abrir-se para a possibilidade de ajuda sem expectativa de retorno ou de resultados outros que não aqueles cuja gênese já foi preparada e prevista pela espiritualidade maior que comanda as tarefas de auxílio. Não se precipitem nem esmoreçam, não julguem ou criem expectativas; apenas cumpram a tarefa que vos cabe e que conheceis de antemão.

Se sentes no teu íntimo que precisas reestruturar teus pensamentos, reorganizar tuas ideias ou revigorar os teus estudos, faça isso sem esperar uma ordem expressa que te pressione a fazer algo em prol da doutrina que tanto te faz bem e estimula o teu amadurecimento e a tua compreensão existencial. Talvez as travas, os impasses, os obstáculos no desenvolvimento da mediunidade se devam à falta de persistência e de valorização da tarefa à qual te consagraste. Nada pode advir para quem nada buscou. Tudo o que te acontece é uma resposta aos teus impulsos, mesmo que inconscientes. A mediunidade se complexifica quanto mas te comprometes com ela e mais se debilita quanto menos interesse lhe devotas.

Não queremos impor ao estudante, ao professor, ao trabalhador, ao médico, àqueles em geral cujas obrigações profissionais são permeadas de demandas muitas vezes incontornáveis que menosprezem seus compromissos para se dedicarem apenas ou de modo extenuante ao exercício da mediunidade. Estamos pedindo que concentrem esforços e que permitam aos bons espíritos se sobreporem às preocupações, para que saibam que jamais forçaremos alguém ao desrespeito à profissão terrena, mas sim convidaremos a engrandecê-la com o coroamento espiritual que a abrilhantará.

Talvez a ideia seja justamente essa: fazer-te transitar entre dois planos constantemente para que a lucidez espiritual clarifique as estradas terrenas e para que as demandas terrenas reverberem em teus conhecimentos espirituais. Entre a terra e o céu há um espírito que age e reflete, que labuta e reza, que caminha e eleva o pensamento, que pensa e intui, que age no mundo entre os homens e que se congrega aos espíritos em reuniões salutares.

Projeta o pensamento para o limite máximo da tua potência cognitiva e saberás que, por mais que te esforces, jamais alcançarás solitariamente as respostas necessárias para apaziguar o teu coração inquieto. Por mais que o estudo se faça necessário, não menos necessária é a entrega. Por mais completa que seja a entrega, ainda assim é necessário o estudo. Tens uma alma que ama e que quer, um intelecto que busca e que questiona e um amigo que te vela em todos os instantes da vida e que te chama até Ele de todas as formas possíveis.

O chamado de Jesus não é um grito que te fere ou uma ordem que te subjuga; é um abraço carinhoso que induz a uma entrega mais plena e confiante; é uma música mais suave que desperta na tua alma um anelo maior pelo bem; é uma linguagem mais humana do que a fantasia que os homens criaram; é a linguagem do amor entre os homens, do trabalho a cumprir, do sentimento de dever e do ímpeto de amar e servir. O chamado de Jesus é a canção eterna da tua alma que os teus ouvidos ainda não sabem ouvir. Abre os teus ouvidos abrindo o teu coração e sente a paz que te invade no momento em que aceitas que não és mais nem menos do que ninguém; és simplesmente um ser dotado de luz própria e ansioso pela luz divina. E essa luz divina te preenche quando assim o queres, porque Jesus não é somente um chamado ou um apelo, é uma presença real e constante na vida de todos nós.

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