Fanatismo político

Embora torçamos para que a letra morta do passado ideológico desse país seja efetivamente varrida, não nos alegra ver o trovejar descontrolado de insultos e estultices ditos a torto e a direito. O debate ideológico precisa ser travado, mas há que se notar que o ânimo que invade as psiquês em gládio favorece apenas a cupidez ignorante daqueles que se pretendem portadores únicos de verdades consumadas. De um lado e de outro fervilham animosidades e nem de um lado nem de outro, salvo raras exceções, vê-se a lucidez e a moderação. O que é de se estranhar é que poucos procurem efetivamente acercar-se de uma reflexão sóbria para combater em defesa de certos princípios, preferindo a rematada tolice de repetir clichês deselegantes que desferem ferozes contra os seus adversários. Embaraça-nos o envolvimento em questiúnculas infantis quando o campo no qual transitam as questões políticas é de uma importância capital. Bem sabemos que mais veloz é a onda espraiadora do ódio do que o sutil pedido de moderação e, não obstante, sustentamos aqui como algures a necessidade de autodomínio no âmbito político para que a esfera comum não se transforme no palco de exposição das nossas próprias fragilidades. Combatamos solidamente o que precisa ser combatido, com a fé no ideal projetado ao custo de nossa própria subjetividade que, fragilizada, gostaria de irromper vitoriosamente armada de uma ideia qualquer, mesmo que essa seja uma ideia malsã.

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