Juventude e rebeldia

O que se dá hoje nas universidades brasileiras não é difícil de compreender. A interpretação doutrinária das questões polêmicas veiculou nos estudantes um discurso eivado de profetismo revolucionário, levando-os a crer que a negação de valores equivale à liberdade e que a contumácia política equivale a um despertar profícuo da consciência.
Esqueceram, porém, que antes do despertar da dita “consciência social” é necessário o despertar de si mesmo, da própria nobreza de espírito e das altas pretensões morais. Preferiram o caminho mais difícil de projetar a transformação social a partir de suas ações desequilibradas como se do caos pudesse vir a ordem e da teimosia pudesse advir o consenso. As nossas universidades fabricaram personagens fictícios de uma ópera social na qual o insurgente que se rebela é o único a satisfazer-se com a covardia moral que apregoa. Subir ao palanque, colocar máscaras, esbravejar bravatas e solidarizar-se com uma causa sem que a sensibilidade real – aquela que toca, que cheira e que sofre ao contato com o outro – seja despertada é o princípio do fanatismo de outros tempos. Comunicar é fácil; lutar para fazer-se portador de uma ideia é difícil. Guiar massas é fácil; assegurar-se como autoridade da própria desgovernança não é. Como estamos em um momento de tensão social, o único que me ocorre antecipar é a fratura da juventude, que se perde entre propósitos extremos: de um lado a rebeldia desprovida de segurança moral e de autoridade interna, de outro, o desgoverno sexual julgado saudável. Quem ousa contrariar a ânsia irascível dessa juventude é “apedrejado” sem parcimônia. No entanto…há ventos novos e novas mentes; há algo além do delírio frouxo de uma juventude carente. Que venha então a transformação! Mas não será a que essas pessoas buscam. Que venha a transformação tranquila dos que acalmaram a própria ansiedade e começaram a olhar para o outro real, de carne e osso, escondido atrás dos cartazes daqueles que fazem a revolução.

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