Nossa pátria é abençoada e protegida

São tantas questões abertas na mente inquieta da juventude; são tantas indagações profundas nos corações desses jovens versados em algumas letras, mas existencialmente tão perdidos! É preciso retroceder um pouco, reavaliar a forma como nos aprouve educar as gerações das quais dependerá o futuro; é preciso avaliar se a humanidade caminha ou tropeça quando pede aos seus jovens que se rebelem, que se exaltem, que interajam com todas as teorias transgressoras antes de meditarem naquilo que lhes forma o caráter.

O animal sente e age. O homem sente, pensa, reflete e elabora teorias que induzem à ação de seus semelhantes. Que essas teorias sejam, pois, centradas em algo mais sólido e firme que a vulnerabilidade humana. O homem é um animal pensante que persegue ideais; que esses ideais sejam trabalhados por mentes mais afeitas à concórdia, à fraternidade, ao amor.

É preciso colaborar para a formação humana, para a maturação moral, para o desenvolvimento intelectual, para o refinamento espiritual. É necessário renegar firmemente os textos mais cheios de pressupostos materialistas e imorais, os textos de desesperação e de revolta, os textos de violência e os de insensibilidade em relação ao sofrimento de daqueles que já são martirizado pelo preconceito e pela difamação. É preciso modular a linguagem, floreá-la mesmo com adjetivos belos e edificantes para que a juventude se sinta incitada a buscar o bem, o belo, o justo.

Chega de fantasias infantis de uma transformação social imediata por meio da violência e da revolução; chega também de respostas contundentes que exaltam os ânimos sem oferecer explicações melhores para o naufrágio moral da civilização. Chega de instigar a luta, a discórdia, a vingança e a desunião. Nossa pátria é abençoada e protegida; seu povo merece uma oportunidade de reavaliar suas escolhas, de reorganizar suas instituições, de melhorar sua política, de revisitar seus valores.

Se isso se dará a curto, médio ou longo prazo não o sabemos, pois o processo de conscientização política, de construção de uma nova consciência pública, é algo que depende do esforço contínuo daqueles cujo esforço no bem não se esgota em sua própria vida, mas a transcende em obras de interesse geral, seja no aspecto intelectual, seja no aspecto moral por meio do exemplo.

Há muito o que fazer para que essa pátria que hoje se consome em tensões políticas passe a exercitar a política de modo saudável e nobre, sem idealismos utópicos e sem hipocrisias retóricas. Falta muito para que esse chão que pisamos possa fazer valer a esperança representada no verde de nossa bandeira.

Os brasileiros somos mais do que um povo em litígio por uma ou outra concepção política; somos aquele povo cuja cordialidade, grandeza de coração, gentileza e bom ânimo conquista o mundo; somos a fraternidade manifestada com gestos expansivos de acolhimento; somos a diversidade de cores, de raças, de concepções religiosas e de visões de mundo; somos a pátria do Cristo de braços abertos para a humanidade e de mãos espalmadas para o Alto, clamando ao Pai proteção para esse povo hoje perdido, hoje confuso, hoje frustrado pela maldade de alguns, mas em breve recuperado para o cumprimento de sua missão.

Éramos um povo de selvagens inocentes e hoje somos uma nação de inocentes selvagens. Pessoas sofridas e confusas que, desesperadas, apostam em concepções políticas como tábua de salvação, esquecendo que a salvação vem de cada um, de cada indivíduo mais reajustado e mais lúcido, até que essa lucidez e esse reajuste se expresse na forma de políticos mais responsáveis e mais comprometidos com o bem.

Não desistamos do Brasil. Não desistamos do esforço político iniciado. Mas também não desistamos de nós, perdendo-nos por estruturas de poder já corrompidas e carcomidas. Antes de salvarmos o Brasil, salvemos o próximo. Salvando o próximo, faremos algo pelo outro, por nós mesmos e pelo país, pois o exemplo de uma alma caridosa e bem-intencionada arrebata multidões.

Uma coisa é a política; outra coisa é o esforço individual pelo bem comum. Mas, esforçando-nos na realização do bem comum, prefiguraremos uma estrutura social mais harmônica e mais equilibrada, capaz de nutrir as mentes jovens e sedentas de algo maior que uma rebeldia sem rumo, sem lei e sem norte. Que os jovens se encorajem, pois, pela virtude e se entusiasmem pela caridade; que se exaltem pelo cumprimento do dever e que renovem, pelo exemplo de amor e de dignidade, esse grande país.

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