O Brasil acordou

O Brasil acordou, mais uma vez, depois de uma longa letargia. O Brasil reavivou em si a ideia democrática e enfrentou com ousadia a covardia dos que se prestaram ao papel desprezível de corruptos, de estelionatários e de falsos profetas. O Brasil cansou do despreparo político e intelectual, da empáfia hipócrita de seus últimos líderes e se abriu para uma experiência nova na qual a juventude reitera, contra as pretensões dogmáticas de uma esquerda caduca, a boa política dos que acreditam na liberdade e nos valores nobres de um Estado democrático e legítimo. Há, porém, muita nuance, muitas ideias, muitas mutilações desse saudável e jovial vento que sopra nas nossas terras. Há, sem dúvida, os que realmente acreditam na experiência democrática e na nobreza de valores e que lutam para construir as bases de uma economia sólida e ideologicamente neutra, mas há um lado mais taumaturgo que delibera a melhor forma de tirar proveito da intensa, nobre e legítima efervescência social. Há um processo em andamento. A história pulsa e o Brasil atravessa a onda dinâmica e benfazeja das revoluções sensatas, aquelas que se erguem sob bandeiras dignas e cuja força advém de escolhas profundamente íntimas e enraizadas. Naqueles que lutam por um país melhor há um “quê” de entusiasmo, enquanto naqueles que mergulham incertos no movimento há uma simples entrega, o que significa um perigo de automatização. Não há o que dizer, de momento, que possa antecipar os rumos dessa situação, pois a história – ao contrário do que pretendia a máxima materialista – é fruto das escolhas humanas, é o resultado de tensões sociais promovidas por indivíduos. Por isso falo a indivíduos e não a agremiações. Falo aos jovens que lutam porque sabem que devem lutar e que caminham por uma espécie de impulso que manifesta a inteireza de uma personalidade que assumiu o seu papel. Falo aqui como uma dessas pessoas que sonha com a concórdia e quer a união desse país, mas quer, sobretudo, a união de indivíduos livres em torno de um ideal comum de mudança. Todos os ventos sopram a nosso favor e o rancor daqueles que olham a história pelo lado errado não deve tirar de nós a audácia e a jovialidade que têm nos mantido de pé.

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