O islamismo como obstáculo às políticas de pacificação mundial

Em artigo anterior posicionamo-nos moralmente em relação ao difícil problema da imigração. Compreendemos que não nos cabe a preocupação exclusiva com a manutenção de nossa condição de bem-estar, enquanto uma parte da humanidade tenta fugir à guerra, à fome, ao terror, ao desvario brutal dos grupos terroristas que atuam no oriente. Aquele que tem o poder de tomar decisões tem uma dívida em relação à construção da paz, em relação ao processo gradual de dignificação da pessoa humana por meio de leis mais condizentes com o apelo comum de fraternidade universal. A fraternidade não é a essência da política, mas pode modulá-la, impulsioná-la ou limitá-la por ocasião de grandes desvios. Esses desvios já foram muitos, mas a sociedade tem o poder de evitá-los através do despertar contínuo da própria consciência e dos próprios valores.

Não importa se eu ou você defendemos essa ou aquela política de estabilização do fluxo migratório, pois isso não é da nossa alçada, mas das autoridades que têm poder de ação. O que está ao nosso alcance é a compaixão, a solidariedade e a lucidez. Jamais compactuaremos com atos que firam a dignidade humana. Quando seres humanos são ultrajados, ultraja-se a própria concepção de humanidade. Quando, ao contrário, o ser humano é respeitado, eleva-se a visão que temos de nós mesmos. Não se trata de fechar os olhos para o horror do fundamentalismo islâmico e para o real problema que a enorme quantidade de refugiados e imigrantes na Europa pode causar, mas não nos aventuraremos em uma propaganda incisiva contra os imigrantes porque sabemos que entre eles há pessoas de bem, famílias, crianças que fogem desesperadas daqueles que efetivamente precisariam ser combatidos. Há preocupações legítimas com os rumos desse problema, mas devemos enfrentar a questão sem descurar aquilo que nos foi legado pelo cristianismo: o amor ao próximo e a caridade.

Defendemos uma aglutinação de instâncias diferentes de constituições diversas, fazendo-as convergirem para o ponto único no qual se faça valer a concórdia no que tange às altas ideias morais já consolidadas em parte nas melhores constituições. Se chegamos a propor uma maleabilidade em relação às fronteiras, não propomos, porém, um globalismo no sentido de uniformidade ideológica. Fronteiras são necessárias, ainda que possam ser abertas. Diferentemente do que apregoa a maior parte das pessoas de boa vontade, mas de pouca percepção política, um mundo sem fronteiras não é possível, mas, diferentemente do que alguns pensam por excesso de precaução política, não é necessária tanta rigidez a ponto de renegar asilo aos refugiados de guerra. Trata-se, portanto, de uma equação a ser resolvida no âmbito do bom senso e da segurança nacional.

Não devemos chegar ao absurdo de fazer com que o direito internacional seja relegado, pois esse direito foi uma das grandes conquistas da civilização; mas também não podemos albergar em nosso território entidades ideologicamente comprometidas com a destruição da civilização e de tudo aquilo que nos é mais caro em termos de valores e ideais. A questão, portanto, da imigração envolve o problema do Islã e encontra nele o seu obstáculo quase insuperável. O encontro entre as civilizações só será possível por meio da convivência harmônica entre as diferentes culturas, mas isso não quer dizer que um ultimato ao mundo como aquele proclamado pelo fundamentalismo islâmico possa ser administrado. Concordamos que a estrutura da sociedade pede a heterogeneidade, mas rejeitamos que essa heterogeneidade se configure primariamente pela sua condição desarmônica ou pela sua degeneração. Coordenar o seu estágio mais elevado com alteridades sempre favorecerá uma visão ampliada do próprio social, enquanto coordenar desvios dentro de uma estratégia linear poderá implodir a própria sustentação social requerida.

O islamismo precisa começar a ser tratado pelo que é: um obstáculo às políticas de pacificação mundial. Enquanto as potências ocidentais perdem-se em tentativas equivocadas de acordos de paz, os islâmicos acertam na dissolução gradativa da possibilidade de aglutinação moral dos povos em torno de um ideal comum, já que esse ideal, em sendo comum mas não homogêneo pressupõe a tradição e o respeito às diferenças, pressupõe a existência de vários credos que não visem a suprimir abruptamente as ideias religiosas e políticas que lhe são estranhas.

A ONU, responsável hoje pelo papel de mantenedora da paz, tem colaborado em aspectos localizados para a pacificação global, mas no âmbito geral tem fomentado práticas adversas ao que deveria ser o seu objetivo maior. Como buscar efetivamente a paz mundial subjugando-se à tirania despótica de povos altamente comprometidos e moralmente deficitários? Não haverá chance de paz ou pacificação global enquanto não se compreender que há sim nações e civilizações com estruturas morais, políticas e jurídicas superiores e que são elas que devem estar à frente da discussão sobre os Direitos Humanos ou sobre qualquer outro tema de interesse e relevância geral. A forma ideológica e parcial com que se tem encarado a questão da participação de países de maioria muçulmana nas decisões mais relevantes da ONU apenas atrapalha e prejudica o processo de desenvolvimento e maturação dos órgãos internacionais. Estão sendo feitas concessões demasiadas àqueles que querem nos destruir e esse é um dos problemas políticos mais importantes da atualidade.

Por que dialogar e dar assento diretor ou cadeira cativa na ONU para países absolutamente retrógrados nos quesitos mais básicos de aplicação da justiça? Por que combater ferozmente instituições tão antigas como o são as leis gerais da democracia de Israel? Por que insistir em questionar sistematicamente o poder concedido às potências europeias e à potência norte americana se são elas as atuais democracias que, com todos os seus defeitos, podem impulsionar a discussão internacional para algo mais próximo do bem comum? Se há alguma preocupação real com a paz mundial, com os refugiados de guerra, com as crianças na Síria, com as mulheres que são tornadas escravas sexuais de terroristas, então o que se deve combater com urgência é a falsa ideia de que devamos ser condescendentes ou submissos à religião e à cultura que permite tais abusos.

 

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