O jeito é persistir

Mudam-se os papéis

Invertem-se ideais

Pátrias conquistadas

Odes triunfais

Discursos que se esvaem

Chamas de vulcão

Prazer, dor e luxúria

Drama e solidão

De tudo aqui se sente

E da morte se ressente

Em íntimo pesar

O que sucumbirá

Ao peso do destino

E que em desatino

O corpo deixará

Febril sem ter ciência

De que a consciência

Está a progredir

No último fulgir

Do espírito absorto

Que deixa o corpo morto

Pra’inda prosseguir

Mas ninguém quer partir

Deixar um ser amado

Um ente amargurado

Em pranto a sucumbir

Reflete então agora

Que toda hora é hora

De amar sem possuir

Aquele que te adora

Não é o teu pedaço

Não firme tanto o laço

Que impede de seguir

A terra é transitória

O céu não tem limite

Se o corpo aqui resiste

Estás na tua história

Tecida a toda hora

Com a linha do amor

Recorda, pois, que a dor

Ressalta o teu caminho

Refaz no desalinho

O fio a perseguir

Segura o teu novelo

Esquece o pesadelo

O jeito é persistir.

Este post tem um comentário

  1. Aqui encontro leituras que me fazem refletir, ora acalentam meu coração, ora o impulsionam em busca do conhecimento! Parabéns!!!

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