Poder e pudor

Poder pede a pena que corrói

Poder traga o que a si mesmo destrói

Poder permite a peste da arrogância

Poder omite a bem-aventurança

Poder putrefaz a alma, que se perde

Poder domina aquilo que menos compete

Poder traduz equivocadamente uma sentença

Poder na mão de quem o quer é uma doença

Pudor na dor de crescer é triunfar

Pudor constrói só depois de se entregar

Pudor é luz que se acende na escuridão

Do mal que assombra uma má instituição

Pudor conduz com parcimônia o aprendiz

Pudor transmite majestade quando diz:

– Na terra – chão que aquilata o teu valor

A régua que te mede é só a paz que se ausentou

Mas no céu – que aquilata o tesouro transcendente

A tua meta, o teu limite, o teu quinhão está presente

Se te entregas ao trabalho sem a soberba carregar

Se transmites a verdade do que queres professar

Uma só é a sentença do governo que há de vir:

A luz da terra é uma sombra e um só Deus se há de servir

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