Poema aos não nascidos

Sufoca no peito um grito, ameaçado
Dobra-se e se esconde, em desespero
Mas algo o invade e o fere inteiro
Eis um corpo ali despedaçado

Esse que foi embora teve um nome
Nome que foi gravado em brasa ardente
Na consciência que fez de um inocente
Mera bandeira para o seu renome

Fracos de espírito, homens ressequidos
Vivem como se fossem uns ungidos
São somente mentes imaturas
Medindo a lei por suas vãs leituras

Cegos guiando cegos em profusão
Nesse mundo onde reina a ilusão
Que perverte a lógica e o direito
Transformando o crime em um preceito

No desprezo insano pela vida
Sem nada sagrado que a comova
A humanidade geme em sua alcova
Como se estivesse ensandecida

No lugar da materna proteção
Permite-se o crime já no útero
Mata-se mais um nascituro
Mais um ente em aniquilação

Mais um corpo débil e indefeso
Descartado, eliminado a esmo
Desprezado o ente mais singelo
Pela própria mãe, seu maior elo

Pobre dessa mulher que em seu delírio
Arrancou de si seu elemento
Negou dar à luz o seu rebento
Esmagou com a mão tão puro lírio

Pobre ainda daquele delinquente
Que com requinte e boa oratória
Transformou a verdade mais simplória
Com sofisma árduo e incongruente

O intelectual no seu escritório
O demagogo com seu parlatório
O sociólogo com seu dado frio
Induzem o incauto ao desvario

Não conseguem ler o vaticínio
Dessa massificação do morticínio
Que contorna o gozo irresponsável
Com um ato mais abominável

Não se usurpa em vão um dom de Deus
Que permite a vida em abundância
Quem atinge um ser em plena infância
Ou é mau ou já enlouqueceu

Mas a verdade é clara como o dia
Tantos teimem em postergar a luz
Ela chega em nome de Jesus
E se impõe contra essa covardia

Toda vida é sagrada em seu princípio
Todo ente é digno em sua essência
O aborto é mais um precipício
É isso que te dita a consciência.

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