Princípio material X princípio espiritual

Negar a imortalidade da alma é um dos maiores equívocos e desfavores que a humanidade e o intelecto humano puderam fazer. Talvez fosse possível convencer a humanidade disso, de que a alma não existe, de que a matéria é o fim último de todas as coisas, mas o que se lograria com isso?

Os últimos filósofos que se esforçaram por convencer os homens de que a matéria se sustentava por si mesma, que a finalidade natural não existia, foram claramente refutados pelas perspectivas mais abrangentes e lúcidas que previam uma organização energética mais complexa e mais imprevisível. O que significa isso senão o salto necessário para o reconhecimento de que o mundo material é uma pequena parte na dimensão imensa do universo infinito e praticamente insondável àqueles que continuam aceitando as teses obsoletas de uma metafísica materialista?

O princípio material, por mais que seja complexo e imponente, não equivale ao princípio espiritual que o insufla. É necessário estabelecer melhores e mais ousadas metas de estudo sem esquecer de se assegurar daquilo que está posto na tradição como algo digno de nota, de respeito e de avaliação. A filosofia não evolui apenas pela especulação racional. Ela transmite a síntese de uma época naquilo que de grandioso ela pôde alcançar dentro dos parâmetros racionais e reflexivos.

Sabemos que a reflexão é tensionada e limitada pela mente que, por sua vez, é condicionada por uma série de fatores que a influenciam. Cabe-nos, pois, averiguar a hipótese de que uma reflexão possa se dar não apenas pelo indivíduo, mas por meio de um influxo cerebral conjugado e compartilhado.

É isso que acontece muitas vezes, mesmo quando não nos damos conta. O raciocínio, o esforço intelectual é necessário, mas é necessário compreender que o influxo mental é constante e que aquele que consegue versar bem sobre tal ou qual assunto apenas se fez capaz de articular em suas próprias palavras a imensa onda de ideias que pulsam e que esperam ser apreendidas e compreendidas.

Por mais que nos esforcemos para alcançar algo de original e de criativo, a criatividade só pode vir da nossa própria alma. De onde mais viria? Apenas escutando a nós mesmos, reestruturando os nossos sentimentos, reorganizando o nosso psiquismo somos capazes de encontrar aquilo que realmente importa e que vale a pena dizer pelos meios intelectuais de que dispomos.

A inteligência é um instrumento do espírito e, como tal, está a ele subordinada. Apenas um espírito digno é capaz de alcançar altos patamares da verdade filosófica, se por isso entendermos não o acúmulo sistemático de ideias e especulações vãs, mas a materialização ideativa do processo evolutivo da humanidade.

 

Deixe uma resposta

Fechar Menu