Socialismo não é democracia

Diferentemente do socialismo, a democracia não possui um fim fora de si mesma em nome do qual possa relativizar seus fundamentos. A finalidade da democracia é justamente assegurar determinados fundamentos. Ela não pode abrir mão da justiça em nome de uma causa qualquer porque sua finalidade é justamente garantir a justiça. A democracia não reparte as demandas de uma população baseando-se em uma distinção de cor, de credo ou de classe social; a democracia não consiste em delegar poderes, mas em limitá-lo. É nessa limitação que consiste a sua eficácia e é nessa posição equilibrada que consiste a sua justiça. Portanto, o maior desafio da democracia não é cravejar de pérolas a casa dos pobres ou melar de lama a casa dos ricos, mas fornecer a todos os cidadãos a capacidade plena de exercício de seu livre-arbítrio, de uma consciência moderna, de uma razão emancipada. Com o propósito de resguardar um valor essencial, a liberdade, a democracia postula normas que servem a determinados princípios. Esses princípios, porém, não se sujeitam a nada além de si mesmos e são princípios que estão em consonância com a ideia central de consciência moral, tal como fora secularmente orientada, isto é, como consciência individual, como soma de valores civilizacionais e como esteio da ética. O meio, então, não deveria nunca romper a consciência individual, sob o risco de se arruinar a própria sociedade. O que se constata, porém, é que, fora da democracia, os supostos fins justificam o abuso de poder como meio e a consequência disso é o solapamento da consciência moral e o embrutecimento espiritual do homem.

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