Tambores do além

O colorido da alma

Transubstanciado em luz

Revigora a geração vindoura

A eficiência maquinal desmorona

O suplício, a dor e o prazer

Pedem uma elevação indefinida

O homem seca na terra que se abre

E que o violenta, sugando-o para dentro de si

O instinto ressequido e abstratamente difuso

Tumultua a placidez dos corações em jornada

Ó ventos de estradas infinitas!

Venham soprar esses pés!

Já cansados de tocar pedras e lamas

Venham tumultuar o clima dessas estações

Para que os homens ergam a poeira de suas botas

Por que, descalços, não pisam o solo solenemente?

O céu se abre à vossa espera

Ó humanidade sôfrega e doente!

O sol se traduz nas vossas letras?

A lua se deixa conter na vossa história?

O cosmos cabe na pequenez do vosso pensamento?

Homens, homens! Esgueirem-se mais!

Há uma fresta de luz a penetrar a caverna

Que vedes além de vossa própria vida?

Que vedes além do vosso horizonte definido?

Que vedes além da humanidade que sois?

Quem és tu, ó homem que vê?

Depuseste a vaidade em penitência?

Desfizeste o laço de teus enganos?

Onde estiveste nos passados séculos?

Em que terra incógnita teu corpo desfaleceu?

Homem, acorda!

Ainda é cedo pra ti

Mas a traça corrói a velha madeira

É difícil reaver-te do pó

Foste pó mais de mil vezes

Mil vezes pó serás ainda

Mas questionas ao infinito:

Que é do pó? Que é de mim?

Ouve a tua própria questão

Medita na tua ânsia de colher

Resposta finita para infinito dilema

E atenta para os inúmeros portais

Que se abrem e te convidam

Com flores para banquetes e festins

Não retornes à tua própria têmpora

Entre tantas regalias imperiais

O universo te dilacera o peito

O infinito transpassa a palma da tua mão

Retém algo, criatura inconstante!

Retém! Antes que o espírito se evada

Abre a boca sedenta para o céu nublado

A chuva virá enquanto esperas

O espírito não tem mortalhas

Larga o chão que te aprisiona

Espreme o sumo da tua quintessência

E vem cantar junto aos anjos

A formosura da terra em ascensão

Ó homem perdido de si mesmo!

Enquanto estendemos a mão

Nosso coração se confrange

Não vens? Mil anos te esperam

Em terra dolorida e insana

Enquanto rufam os tambores do além.

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