O cristianismo trouxe a boa nova, mas a boa nova ficou submersa em promessas mal compreendidas, em dogmas mal explicados e em doutrinas submetidas aos poderes temporais políticos e transitórios. O Cristo, sublime em sua majestade, esperou o tempo propício para renovar seus preceitos no coração da humanidade e o espiritismo despontou como um novo vento a varrer as ferrugens de um texto sobre o qual foram sobrepostas camadas e mais camadas de interpretações sem que o seu verdadeiro sentido brilhasse sem deturpações.
O trabalho de exegese bíblica fez-se necessário, mas o excesso de apuro na letra desviou, por vezes, o sentido principal. O espiritismo deveria evitar o mesmo erro. O excesso de textos, de divulgações, de coletâneas, de palestras e de estudos não pode ser mais importante que o retorno do espírito a si mesmo e o reencontro desse si mesmo com o ser sublime que o sustenta em suas provações e anseios, em suas dores e em seus entusiasmos, em suas desilusões e em suas conquistas.
O Jesus que buscas não é apenas uma figura histórica. O homem de Nazaré foi o momento histórico sagrado do encontro do divino mestre com a sua própria obra, com a sua terra, orbe por ele mesmo moldado para que almas aqui florescessem em direção ao seu coração. O coração de Jesus, em comunhão com o Pai, criador de todas as coisas, pulsa por nós e em nós.
É difícil imaginar a grandeza desse espírito se nos limitarmos a uma interpretação teológica tradicional ou a uma interpretação meramente sociológica. O espiritismo vos disse: ele é modelo e guia. Mais do que isso, ele é o divino jardineiro das almas que começam a florescer ao escolherem trilhar a estrada de sua mensagem sublime.
Não duvidem jamais da sua misericórdia e da sua magnanimidade. O cordeiro de Deus não se sacrificou em vão. Ele age atemporalmente para a proteção do seu planeta; ele envia em todos os momentos mensageiros adequados para a orientação dos homens.
Tentemos, pois, abrir a nossa alma para esse médico compassivo, que veio curar nossas máculas, regenerar nossos propósitos e santificar nossa vontade. Comecemos com o humilde trabalho, cresçamos no serviço, ofereçamo-nos de corpo e alma àquele que se ofereceu por inteiro para o resgate de muitos. Só assim, por meio de uma verdadeira entrega, por meio de uma sincera vontade de se transformar e servir conseguiremos iniciar a trajetória ascensional que nos conduzirá ao seu regaço.
A paz que ele nos prometeu depende de nós. Ele nos trouxe a paz e foi rechaçado. Retomemos a marcha. Honremos a história. Se o Cristo veio por nós, foi por acreditar que seríamos capazes de subir até ele. Subamos! O mestre nos espera. A bênção para todos está espalhada na terra. Saibamos absorvê-la amando e servindo, em paz e harmonia.
(Psicografia – médium: Catarina)