O momento posterior à serenidade é o hábito de transferir essa serenidade para o próximo através de gestos de afeição e concórdia. A cordialidade remete ao coração, à boa vontade para com o próximo, à gentileza. Ser cordial é ser caridoso com gestos e palavras, é expressar o amor diuturnamente sem pretensões maiores que o simples prazer de ser gentil e servir.

Cordialidade é correção no ato, correção na fala, correção na atitude. É também altivez em relação às ofensas, advertindo ao outro que não se trata, em ti, de um espelho que reflete qualquer coisa que te é lançada à face, mas de um gesto íntimo e próprio da bondade que quer prevalecer.

Cada vez que alguém te agride e tu não revidas, uma chance maior de luz atinge o agressor, que se perde em meio aos próprios pensamentos negativos e – perplexo pela inutilidade de seus atos e falas – retrai-se, intimamente desolado, e encaminha-se para a necessária introspeção que o haverá de corrigir.

Cada vez que o teu gesto transbordante de amor atinge uma alma carente de afeto, um rastro luminoso passa a guiar seus passos e aquela pessoa outrora desprovida de senso de fraternidade terá como modelo o teu olhar caridoso, carinhoso e compassivo.

Cada vez que o teu irmão recebe de ti a energia receptiva que a todos beneficia, uma nova corrente de concórdia se estabiliza, debilitando assim as forças traiçoeiras que buscam oportunidade para a discórdia.

Sê, pois, gentil com todos, sem esquecer a gentileza consigo mesmo através do autoperdão e da autoestima, sempre imprescindíveis para a continuidade das tarefas na seara do amor.

Sê gentil como se cada dia fosse o último da tua vida, como se aquele gesto pelo qual te expressas perante alguém fosse a última nota da melodia que pretendes gravar no coração amigo como uma música suave, sem ruído, sem perturbação.

A gentileza e a caridade trarão assim a bondade na ação, que se faz soberana frente às demais ações movidas pelos sentimentos inferiores, sentimentos esses que tu já descortinaste no exercício inicial como sendo um móbil inadequado para as tuas ações.

Ação no bem: é a isso que te conduzirá as primeiras etapas desse processo para o qual estamos acumulando forças; processo esse que se verifica, às vezes, com certa linearidade, às vezes, com grandes intervalos e interpolações, às vezes com paradas exageradas que nos dificultam a visão do próprio caminho e da meta para o qual conduz.

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