A todos compete o aprimoramento de si e a ninguém falta a ajuda necessária para o soerguimento. Todos os indivíduos sobre a terra padecem vicissitudes: todos choram, todos sofrem e todos creem – mesmo os incrédulos – que algo há por trás de suas incontáveis mágoas e de seus doloridos desacertos.
Ninguém ama sem sofrer porque a estrada do amor é a estrada da dor. Porque o amor, de início tímido, de início torto, de início deturpado, precisa aumentar de potência, de valor, precisa encontrar a sustentação correta.
Todas as tentativas são válidas, todos os passos levam adiante quando foram dados ao menos com um presságio de um ideal maior, de uma estrada nova a descobrir, de um dever a concretizar, de um degrau a galgar.
O amor é rico em significados. Se tu sofres, relegado por alguém, tu amas a ti mesmo e o que sentes é o valor daquilo que há em ti e que foi desprezado. Se sofres pela perda, pela suposta inutilidade das tentativas, amas a tua crença de ter havido amor quando não havia, mas, em não havendo, houve, pois o aprendizado foi feito e a estrada foi percorrida.
A separação não dói tanto quanto a amargura de estares descrente de ti; a separação não dói tanto quanto o teu orgulho que se extravia – a altivez que decai em revolta e a revolta em desalinho mental e em tormenta sem fim.
A separação não dói, o que dói é o teu Eu ainda por se sustentar, a tua estrada ainda por percorrer, o teu próprio valor ainda por se afirmar perante ti mesmo.
Ama sempre, ama agora, mas ama em paz, que a paixão de um ressentimento, de um ciúme ou de uma vaidade é apenas uma nuvem negra a passar ante o teu campo de visão. E a tua visão tem um alcance bem maior do que o que podes em tal estado enxergar.
Deixa que a tempestade caia agora. Deixa que a mágoa transborde do teu interior e se esvaia como a água a correr no rio. Ao final, mira o céu: está límpido! Tão claro! Tão pleno! Assim é tua mente; assim é tua alma; assim é o teu ser; assim tu és.
(Psicografia – médium: Catarina)